O refluxo gastroesofágico é uma das queixas mais comuns no consultório de gastroenterologia. Está relacionado ao retorno de conteúdo do estômago para o esôfago e pode aparecer de várias formas, da azia clássica a sintomas menos óbvios como tosse e rouquidão.
Aqui está um panorama completo sobre o tema, com base em diretrizes da Federação Brasileira de Gastroenterologia.
O que é o refluxo
O refluxo acontece quando o conteúdo ácido do estômago volta para o esôfago, irritando a mucosa. Em pequena quantidade e ocasional, é considerado fisiológico. Quando ocorre com frequência ou intensidade que afeta a qualidade de vida ou causa lesão na mucosa esofágica, fala-se em doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).
O esfíncter inferior do esôfago, que funciona como uma válvula entre o esôfago e o estômago, costuma estar com funcionamento alterado nos quadros de DRGE.
Sintomas mais comuns
Os sintomas clássicos:
- Pirose: sensação de queimação que sobe do estômago para o peito ou garganta
- Regurgitação: sensação de líquido azedo voltando à boca
- Azia após refeições, principalmente noturnas
Sintomas atípicos (que muitas vezes passam despercebidos como refluxo):
- Tosse seca persistente, especialmente à noite
- Rouquidão crônica
- Pigarro frequente
- Sensação de "bola na garganta"
- Dor torácica não cardíaca
- Asma de difícil controle
- Erosão dentária por contato com ácido
Causas e fatores que pioram o refluxo
- Hérnia de hiato
- Sobrepeso e obesidade abdominal
- Gravidez
- Uso de algumas medicações
- Tabagismo
- Consumo frequente de café, álcool, gordura, chocolate, hortelã
- Refeições volumosas próximas do horário de dormir
- Deitar logo após comer
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Agendar pelo WhatsAppQuando investigar
Sintomas de refluxo ocasionais podem ser tratados com mudança de hábitos. Vale a pena procurar avaliação médica quando:
- Os sintomas ocorrem mais de duas vezes por semana
- Persistem por mais de 4 a 8 semanas
- Há sintomas de alarme: perda de peso, dificuldade para engolir, sangramento, anemia
- Há histórico familiar de câncer gástrico ou esofágico
- O paciente tem mais de 45 anos com sintomas novos
A endoscopia digestiva alta é o exame mais comum para avaliar o esôfago e estômago, identificar esofagite, hérnia de hiato e outras alterações. Veja como funciona em Endoscopia digestiva alta dói? Tire suas dúvidas.
Tratamento
O tratamento do refluxo costuma combinar três frentes:
Mudanças de estilo de vida
- Perda de peso (quando há sobrepeso)
- Elevar a cabeceira da cama em 15 a 20 cm para dormir
- Evitar deitar nas 2 a 3 horas após as refeições
- Reduzir café, álcool, chocolate, hortelã, alimentos gordurosos
- Parar de fumar
- Refeições menores e mais frequentes
Medicação
Medicações que reduzem a produção de ácido (inibidores da bomba de prótons) são amplamente usadas. A duração e dose são definidas pelo médico conforme cada caso. Antiácidos pontuais também ajudam em sintomas eventuais.
Cirurgia
Em casos selecionados, com refluxo persistente apesar do tratamento clínico ou com hérnia de hiato significativa, a cirurgia antirrefluxo (fundoplicatura) é uma opção. A indicação é avaliada caso a caso.
Quando o refluxo se torna grave
Refluxo persistente sem tratamento pode levar a:
- Esofagite (inflamação)
- Estenose esofágica (estreitamento)
- Esôfago de Barrett (alteração celular relacionada a maior risco de câncer esofágico)
Por isso, refluxo crônico não deve ser ignorado. O acompanhamento médico permite identificar essas condições antes que evoluam.
Para entender outras condições gástricas comuns, vale ler também H. pylori: o que é, sintomas e como tratar e Cálculo na vesícula: quando precisa operar?.
Fontes consultadas
- Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) — Consenso brasileiro sobre DRGE
- Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED)
- American College of Gastroenterology (ACG) — GERD guidelines