A Helicobacter pylori é uma bactéria que vive no estômago e causa uma das infecções mais comuns do mundo. Estima-se que mais da metade da população mundial seja portadora. Em alguns casos é silenciosa, em outros provoca sintomas que merecem atenção.
O que é a H. pylori
A Helicobacter pylori é uma bactéria adaptada ao ambiente ácido do estômago. Coloniza a mucosa gástrica e pode permanecer ali por anos, sem causar problema algum, ou provocar inflamação crônica que eventualmente leva a complicações.
É uma das principais causas de gastrite crônica, úlcera gástrica e duodenal. Também está associada ao aumento do risco de câncer gástrico, embora a maioria dos infectados nunca desenvolva esse desfecho.
Como a pessoa contrai
A transmissão acontece principalmente via:
- Contato oral-oral (saliva, beijo)
- Via fecal-oral (água ou alimentos contaminados)
- Compartilhamento de utensílios contaminados
A maioria das infecções acontece na infância. Por isso, a presença em adultos costuma indicar uma colonização que vem de muitos anos.
Sintomas comuns
Muitas pessoas infectadas não têm sintoma algum. Quando aparecem, os mais comuns são:
- Dor ou queimação no estômago, especialmente em jejum
- Sensação de plenitude precoce (estômago cheio mesmo comendo pouco)
- Náusea
- Distensão abdominal
- Eructação frequente (arrotos)
- Perda de apetite
Sintomas de alarme que indicam investigação imediata:
- Vômito com sangue
- Fezes pretas (melena)
- Perda de peso involuntária
- Anemia sem causa identificada
- Dor abdominal intensa e persistente
Como diagnosticar
Existem vários métodos para identificar a infecção:
Endoscopia digestiva alta com teste rápido da urease
Durante a endoscopia, é coletada uma pequena biópsia da mucosa gástrica, colocada em uma solução que muda de cor na presença da bactéria. É um dos métodos mais usados quando há indicação de endoscopia. Veja mais sobre o exame em Endoscopia digestiva alta dói?.
Biópsia para exame histológico
Também coletada durante a endoscopia, permite avaliar a mucosa em detalhe e identificar a bactéria por análise microscópica.
Teste respiratório com ureia marcada
Não invasivo. O paciente bebe uma solução com ureia marcada e a expiração é analisada. Útil para confirmar erradicação após tratamento.
Pesquisa de antígeno fecal
Também não invasiva. Detecta a bactéria por amostra de fezes.
O teste sorológico (sangue) é menos usado hoje porque pode permanecer positivo mesmo após a eliminação da bactéria.
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Agendar pelo WhatsAppQuando tratar
Diretrizes brasileiras e internacionais indicam tratamento da H. pylori nas seguintes situações:
- Úlcera gástrica ou duodenal ativa ou com história prévia
- Linfoma gástrico tipo MALT
- Gastrite atrófica significativa
- Familiares de primeiro grau de pacientes com câncer gástrico
- Pós-ressecção endoscópica de neoplasia gástrica
- Dispepsia funcional (avaliação caso a caso)
- Anemia ferropriva inexplicada
- Púrpura trombocitopênica idiopática
- Uso prolongado de anti-inflamatórios em alguns casos
A decisão de tratar é individualizada e considera o quadro clínico, riscos e benefícios.
Como é o tratamento
O tratamento padrão é com associação de antibióticos e medicação que reduz o ácido gástrico, por 10 a 14 dias. Os esquemas mais usados no Brasil incluem:
- Tratamento triplo: dois antibióticos (claritromicina e amoxicilina) + um inibidor da bomba de prótons
- Tratamento quádruplo: usado quando há resistência ou falha do triplo, com bismuto e antibióticos diferentes
O esquema definitivo é prescrito pelo médico, considerando o perfil do paciente, alergias, histórico de uso de antibióticos e perfil de resistência regional.
Efeitos colaterais comuns
Durante o tratamento, podem ocorrer:
- Náusea, gosto metálico na boca
- Diarreia leve
- Dor de estômago temporária
- Coloração escura das fezes (com bismuto, se usado)
- Reações de pele em alguns casos
Geralmente são toleráveis e desaparecem ao fim do tratamento. Reações alérgicas, embora raras, são motivo para procurar atendimento médico imediatamente.
Como saber se a bactéria foi eliminada
O controle de erradicação é feito 4 semanas após o término do tratamento, com:
- Teste respiratório com ureia marcada (preferencial)
- Pesquisa de antígeno fecal
- Endoscopia com biópsia (em casos específicos)
Se a bactéria persistir, esquemas alternativos podem ser indicados.
Para entender outras condições gástricas relacionadas, leia também Refluxo gastroesofágico e Quando fazer endoscopia.
Fontes consultadas
- Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) — IV Consenso Brasileiro sobre H. pylori
- Maastricht VI / Florence Consensus Report on Helicobacter pylori infection