Dra. Mariana Alencar
Sintomas

H. pylori: o que é, sintomas e como tratar

7 min de leitura Por Dra. Mariana Alencar CRM/SP 168.467

A Helicobacter pylori é uma bactéria que vive no estômago e causa uma das infecções mais comuns do mundo. Estima-se que mais da metade da população mundial seja portadora. Em alguns casos é silenciosa, em outros provoca sintomas que merecem atenção.

O que é a H. pylori

A Helicobacter pylori é uma bactéria adaptada ao ambiente ácido do estômago. Coloniza a mucosa gástrica e pode permanecer ali por anos, sem causar problema algum, ou provocar inflamação crônica que eventualmente leva a complicações.

É uma das principais causas de gastrite crônica, úlcera gástrica e duodenal. Também está associada ao aumento do risco de câncer gástrico, embora a maioria dos infectados nunca desenvolva esse desfecho.

Como a pessoa contrai

A transmissão acontece principalmente via:

  • Contato oral-oral (saliva, beijo)
  • Via fecal-oral (água ou alimentos contaminados)
  • Compartilhamento de utensílios contaminados

A maioria das infecções acontece na infância. Por isso, a presença em adultos costuma indicar uma colonização que vem de muitos anos.

Sintomas comuns

Muitas pessoas infectadas não têm sintoma algum. Quando aparecem, os mais comuns são:

  • Dor ou queimação no estômago, especialmente em jejum
  • Sensação de plenitude precoce (estômago cheio mesmo comendo pouco)
  • Náusea
  • Distensão abdominal
  • Eructação frequente (arrotos)
  • Perda de apetite

Sintomas de alarme que indicam investigação imediata:

  • Vômito com sangue
  • Fezes pretas (melena)
  • Perda de peso involuntária
  • Anemia sem causa identificada
  • Dor abdominal intensa e persistente

Como diagnosticar

Existem vários métodos para identificar a infecção:

Endoscopia digestiva alta com teste rápido da urease

Durante a endoscopia, é coletada uma pequena biópsia da mucosa gástrica, colocada em uma solução que muda de cor na presença da bactéria. É um dos métodos mais usados quando há indicação de endoscopia. Veja mais sobre o exame em Endoscopia digestiva alta dói?.

Biópsia para exame histológico

Também coletada durante a endoscopia, permite avaliar a mucosa em detalhe e identificar a bactéria por análise microscópica.

Teste respiratório com ureia marcada

Não invasivo. O paciente bebe uma solução com ureia marcada e a expiração é analisada. Útil para confirmar erradicação após tratamento.

Pesquisa de antígeno fecal

Também não invasiva. Detecta a bactéria por amostra de fezes.

O teste sorológico (sangue) é menos usado hoje porque pode permanecer positivo mesmo após a eliminação da bactéria.

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Quando tratar

Diretrizes brasileiras e internacionais indicam tratamento da H. pylori nas seguintes situações:

  • Úlcera gástrica ou duodenal ativa ou com história prévia
  • Linfoma gástrico tipo MALT
  • Gastrite atrófica significativa
  • Familiares de primeiro grau de pacientes com câncer gástrico
  • Pós-ressecção endoscópica de neoplasia gástrica
  • Dispepsia funcional (avaliação caso a caso)
  • Anemia ferropriva inexplicada
  • Púrpura trombocitopênica idiopática
  • Uso prolongado de anti-inflamatórios em alguns casos

A decisão de tratar é individualizada e considera o quadro clínico, riscos e benefícios.

Como é o tratamento

O tratamento padrão é com associação de antibióticos e medicação que reduz o ácido gástrico, por 10 a 14 dias. Os esquemas mais usados no Brasil incluem:

  • Tratamento triplo: dois antibióticos (claritromicina e amoxicilina) + um inibidor da bomba de prótons
  • Tratamento quádruplo: usado quando há resistência ou falha do triplo, com bismuto e antibióticos diferentes

O esquema definitivo é prescrito pelo médico, considerando o perfil do paciente, alergias, histórico de uso de antibióticos e perfil de resistência regional.

Efeitos colaterais comuns

Durante o tratamento, podem ocorrer:

  • Náusea, gosto metálico na boca
  • Diarreia leve
  • Dor de estômago temporária
  • Coloração escura das fezes (com bismuto, se usado)
  • Reações de pele em alguns casos

Geralmente são toleráveis e desaparecem ao fim do tratamento. Reações alérgicas, embora raras, são motivo para procurar atendimento médico imediatamente.

Como saber se a bactéria foi eliminada

O controle de erradicação é feito 4 semanas após o término do tratamento, com:

  • Teste respiratório com ureia marcada (preferencial)
  • Pesquisa de antígeno fecal
  • Endoscopia com biópsia (em casos específicos)

Se a bactéria persistir, esquemas alternativos podem ser indicados.

Para entender outras condições gástricas relacionadas, leia também Refluxo gastroesofágico e Quando fazer endoscopia.

Fontes consultadas

  • Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) — IV Consenso Brasileiro sobre H. pylori
  • Maastricht VI / Florence Consensus Report on Helicobacter pylori infection

Dúvidas frequentes

H. pylori sempre causa sintoma?

Não. Muitas pessoas infectadas não têm nenhum sintoma. Os sintomas aparecem quando a bactéria provoca inflamação significativa ou complicações como úlcera.

Como pego H. pylori?

A transmissão acontece principalmente por contato oral-oral, fecal-oral ou via água e alimentos contaminados. A maior parte das infecções acontece na infância.

Tem cura?

Sim. Com o tratamento adequado, a bactéria pode ser eliminada na maioria dos casos. O controle é feito por exame específico após o término do tratamento.

O tratamento é caro?

Os antibióticos e medicações usadas são acessíveis e disponíveis no Brasil. O custo varia conforme a apresentação e marca, mas existem opções genéricas.

Posso pegar de novo depois de tratar?

Reinfecção é possível, mas incomum em adultos. A maioria dos pacientes que elimina a bactéria não volta a contraí-la.

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